Qual é a paleta que te preenche?

Hoje eu acordei querendo compartilhar um site que uso bastante quando estou criando e a paleta CYMK do "Cóeu Dráu" não me ajuda. Mas antes de falar no site eu senti a necessidade de desabafar sobre cores. Nós vimos no último dia 12 o post O significado das cores de Roberta e foi justamente pelo caminho desse post que eu me questionei sobre a prática de uso de cores.

É extremamente normal - eu penso e ajo assim - fazer uma pesquisa da concorrência quando você está criando (e se você não faz isso, deveria começar a fazer). Recentemente, procurei o cenário local de construção. Isso porque estou fazendo uma marca para o ramo. O que descobri? Metade do mercado usa preto e vermelho e a outra metade azul e verde. Essa percepção me relembrou um caso que ando questionando muito por aqui (São Luís-MA): o caso da fórmula feita. Sim, existem escritórios de design e agências de publicidade que andam criando as famosas, procuradas e inexistentes fórmulas feitas. Utopia pura, mas prática corrente. E não adianta me questionar porque eu cito os trabalhos e o escritório (só que isso seria anti-ético e  pauta pra outro post). Eu já comecei até a ficar com medo de  um cliente vir com um papel com as marcas da concorrência enfileirados e dizendo: todo mundo usa verde e cinza... quero minha marca assim.


Algumas marcas do cenário local deconstrução.

Obviamente minha vontade era não usar nenhuma das combinações (e não usei mesmo), muito embora, em diálogo com um colega, tenhamos entendido que o azul é tecnologia. Mas o que me incomodou é essa de uma cor é isso e pronto. Azul por azul existem milhões de variações e um passa uma emoção diferente da outra. Além disso a combinação de cores é mais importante do que as cores isoladas por si só. Porque usar azul (tenologia) para um mercado que a publicidade vende como conforto, bem-estar, sonho realizado? Já não seria a hora do nosso mercado de construção ter cores condizentes com os conceitos vendidos?

Existem zilhões de trilhões de cores disponíveis (inclusive na paleta criticada no começo do post). Se combinarmos de 2 a 3 cores, então, serão infinitas as possibilidades e não existe livro no mundo capaz de reunir e definir a psicologia por trás  do uso. Como não podemos ser máquinas de registro de cor, eu mesmo não consigo nomear de cabeça - e às vezes de olho - mais do que algumas poucas dezenas. E olha que estou sendo generoso comigo mesmo.

Cor é uma das questões mais delicadas a se tratar. E nem estou falando de cores malucas que causam tanta confusão como salmon ou mostarda (ou fúcsia). Aliás depois de escrever esse post eu vou tentar nunca mais criticar quem usa mostarda, salmon ou fúcsia pra definir uma cor. Bem verdade que outro dia fiquei de barriga doída de tanto rir do vermelho que alguém usava e que foi definida por um colega de trabalho como "cereja". Não, a pessoa não estava errada, mas eu nunca tinha ouvido uma definição dessa para roupa. Mas voltando ao assunto, os exemplos desse parágrafo ilustram bem o que eu quero dizer: milhões de cores e definições e nenhumacerteza absoluta. Todo azul é tecnologia?! E quando ele vem acompanhado??? Vamos descobrir novas combinações, cores mais ousadas...

Tudo muda no mundo. Tecnologia, conceito, verdades. Está na hora de nos desprendermos de algumas verdades fixas do design e começarmos a soltar a cabeça para descobrir novas combinações de cores e novas emoções por trás delas. Afinal, o mercado não é um misto de azul everde ou vermelho e preto como vimos acima, não é verdade? Ouse! Teste! Mas não esqueça de fazer pesquisa e verificar se suaexperiência funcionou. Quem sabe não podemos ter a imagem do começo do post com cores completamente diferentes e ainda assim no mesmo sentido?! Só nós podemos dizer com algum tempo de estudo, prática e avaliação.





Enfim, o post não era sobre esse "desabafo" a cerca de cores. Na verdade eu queria compartilhar o COLOURlovers. Trata-se de uma comunidade que compartilha cores, paletas e padrões. É gratuito, intuitivo, fácil e prático de usar. Eu que recentemente abusei das paletas do Corel tenho sido usuário assíduo do site. Há a facilidade de escolher paletas ou cores por um sistema de busca além de vocês receber tudo "mastigado" com códigos hexadecimais e formatos para Illustrator e demais aplicativos.Uma boa dica pra quem quer variar e descobrir novas combinações e emoções por trás das cores. Tenha um dia bem colorido!


Exemplos de algumas paletas resultadas de uma pesquisa por roxo.

7 comentários:

Jefferson Nogueira disse...

Meu inexorável Gugasan, mesmo não seja o motivo desse post afirmo, vc se superou com ele! Muito massa suas colocações e imparcialidade, sem falar do fato que está certíssimo quanto a relação das cores "padrão" utilizadas num mesmo ramo, linhas de produtos etc. Também concordo em genero, numero e grau que tenhamos que quebrar os paradigmas das fórmulas prontas e trabalhar a imagem do cliente e não a do ramo de atividade dele. Isso é tão perigo que, veja você, tenho um "bloqueio" pessoal para trabalhar com a combinação verde e vermelho, quando as estudo/pratico, sempre me vem em mente a porra do ramo das pizzarias, algo italiano, um verdadeiro saco. Também estamos desenvolvendo uma nova identidade visual para um cliente do ramo imobiliário, vamos possivelmente manter as cores originais da marca, que graças ao bom deus e o andar de nossos estudos acerca dela, fugirá dessas "receitinhas de bolo".

Roberta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Roberta disse...

Gustavo, Acho que a partir das pesquisas e nosso conhecimento sobre o significado e uso das cores, podemos reinventar o que chamamos de padrão.
Acho que dá pra ter mais de um significado pra uma cor... Quem sabe uma mistura de azul e amarelo = Uma cor que ainda lembre o azul, mas deixa de ser o clássico azul de marca de engenharia... O significado: azul (tecnologia) + verde (preocupação com o meio ambiente)... Acho que isso é reinventar...
Claro que em alguns casos ainda acho interessante não inovar demais... Querendo ou não, a sociedade segue um padrão de pensamento - Não que uma coisa diferente não vá funcionar... Mas algumas marcas precisam fixar valores que algumas cores não são capazes de passar... Então a melhor opção é não fugir do mais obvio para não correr o risco de errar feio...

--> Vocês já leram sobra a criação da marca do Itaú? Quando foi criada, ela era preta e laranja. Wollner disse que existia um pq pra isso ser assim - Itaú significa pedra preta em tupi... Quando mudaram o preto pelo azul, ele disse que não aprovava pq sua criação tinha um pq...

A lição: Devemos tentar trabalhar com uma explicação interessante... Seja para cor, forma, tipografia... Mesmo que seja estranho um roxo e amarelo em uma marca de engenharia (por exemplo) tendo uma explicação que convença o cliente e os clientes desse cliente, ótimo...
Nem tudo é somente estética ou somente função, mas em alguns momentos, uma delas se destaca.
Enfim... Tem muito o que falar sobre o assunto........ =)

GugaSan disse...

O caso de Wollner é muito peculiar.: o uso da cor ao pé da letra. Onde que o preto e laranja representam tecnologia?! Em nenhum lugar... por mais inteligente, experiente, sagaz que Wollner seja, ele está errado.

Mas também, deixa eu explicar meu ponto de vista:
1- só fiquei sabendo o que significa itaú ao ver o DVD com Wollner explicando;
2- desde que me conheço como gente o itaú já tinha as cores que tem hoje;

Mas enfim, se Wollner estivesse certo, nenhuma negra poderia se chamar Clara, correto?!

Por um lado ele tem toda a razão em defender o preto pelo sentido do nome da marca. Por outro, está ignorando que a marca também deve apresentar os valores da empresa.

Mas é só o que eu acho. De repente eu nem tenho razão. MAs sua observação é extremamente válida porque o desabafo era sobre a quantidade de trabalhos similares. Cópia no mercado existe aos montes, mas não se justifica no design.

GugaSan disse...

Aproveitando o debate do Itaú e sua antiga marca preta, em tempos de apagão, seria mais inteligente usá-la para ITAIPÚ. :D

Paulo Coelho disse...

Mas Gustavo, não esqueça que o Itaú, da sua concepção, buscava ser um banco diferente. Por isso enveredou para o preto e laranja. Não acho que Wollner esteja errado, até porque, pra mim, quanto mais instigante um logotipo, mais vontade dá de olhar pra ele. É uma combinação curiosa, o preto e laranja. Mas será que afirmar que ele está errado não é afirmar que devemos seguir padrões pré estabelecidos?

Por último, a minha humilde colocação: Cor não é absoluta, é relativa. Azul na construção é diferente de azul na piscina. ;)

clovesrp disse...

Gustavo, parabéns pelo post. Como diria o poeta - "Cor é fundamental..." Ou era diferente?????
Mas deixa eu botar uma pimentinha na discussão. Não estou aqui pra defender uma cor ou outra, uma marca ou outra, mas não podemos esquecer de um fato muito importante: APLICAÇÃOxFORNECEDOR (Gráficas, malharias, fornecedores de brindes, comunicação visual, etc.). Nosso mercado (São Luis) é absolutamente carente de fornecedores capazes de aplicar as variações de cores que idealizamos, bem diferente do universo digital e de fornecedores que utilizam PANTONE, por exemplo. As Construtoras (ramo citado) necessitam de comunicação em placas de zinco, tapumes, dentre outras onde a cor, mesmo as tradicionais, geralmente sofrem alterações grotescas. Apesar de um profundo estudo de cor/frabricante e dos diversos fundos de aplicação (parede, metal, madeira, etc.) seja possível, aqui em São Luís, conseguir com sucesso aventurar-se em uma dentre as “zilhões de trilhões de cores disponíveis”. Quanta raiva já passei por inovar em uma cor, quantos materiais já devolvi, quantas brigas já tive com fornecedor, doloroso!!! Não ,e arrependo pois acredito nas mudanças mas, talvez por isso ocorra tanto o uso destas “fórmulas feitas”.

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